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- Jun 24, 2017
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Tyson nasceu em Soru Island, uma ilha localizada em East Blue, não muito distante da Grand Line. Soru é um lugar focado na educação de seus habitantes, visando o incentivo na área de pesquisas com espíritos (inclusive, muitos cientistas, mesmo os mais brilhantes da ilha, são vistos com preconceito por boa parte dos pesquisadores no resto do mundo). Porém, há uma pequena parcela da população que discorda de tais esforços: os shamans. O principal argumento deles contra tal prática tem relação com a natureza paranormal dessas entidades, e basicamente consiste em não tentar entender “como” elas permaneceram no nosso mundo, e sim “porquê”, observando caso a caso, literalmente conversando com esses espíritos.
O motivo dessa tal discordância se deve ao fato de que os shamans são os únicos meios de contato com o outro mundo, afinal todos os seus descendentes diretos possuem a habilidade (é possível que esta também surja em outros casos de parentesco, contudo são extremamente raros), e por causa disso, acabam simpatizando muito mais com os mortos, e usá-los simplesmente como experimento científico lhes soam extremamente antiético. Esse grupo de “paranormais” não são ao menos um quarto da população, ficando propositalmente isolados no centro da floresta da ilha. Contudo, alguns deles acabam optando por viver na cidade, levando uma vida totalmente urbana, muitas vezes por acreditarem que levariam uma vida muito mais fácil por lá.
Os pais de Tyson tomaram sua decisão com este exato pensamento, mas coincidentemente ou não, a única residência em conta no momento era justamente a casa mais perto da mata. De uma forma ou de outra, eles desejavam que seus futuros filhos também tivessem algum tipo de contato com essa cultura, pois obviamente, por mais conhecimento que os cientistas obtenham, não poderiam ajudar em absolutamente nada caso ocorresse algum tipo de problema com “controles mentais”, assim dito.
Um ano depois de seus pais se mudarem, nasceu Tyson, e no seguinte, Albert. Dois garotos sem muitas peculiaridades, porém com um futuro enorme pela frente.
I – Tyson. Disse Albert empurrando e puxando seu irmão da cama tentando acordá-lo. – Que foi, criatura? Respondeu Tyson, bravo pelo corte no sono, porém ainda controlando a voz para não acordar seus pais, afinal, a vista da janela e o silêncio pleno deixava óbvio que ainda era de madrugada. – É que... você não tá nervoso pra amanhã? Disse o rapaz, um pouco encabulado pela reação do outro. – Aff, não dá pra falar disso outra hora? – Não! A aula começa cedo, você sabe. Respondeu o irmão. – Olha, já que você me acordou a essa hora, deixa pra lá... Tyson então levantou da cama, e caminhou até a janela de seu quarto, onde uma fraca luz alaranjada podia ser vista, vinda diretamente do centro da floresta. – Sabe, sempre quis saber o porquê deles fazerem esse ritual toda noite. Afirmou o garoto. – Papai não te contou? Eles tratam isso como uma festa para celebrar com os espíritos, ou algo assim. Falou Albert, já se dirigindo para sentar na cama que Tyson havia acabado de levantar. Enquanto isso, a outra criança ainda olhava, pensativo, para a luz ao longe. – Sim, eu lembro dele ter contado isso, mas... o que eu quero saber é a razão disso, entende? Quer dizer, essas almas de pessoas que já se foram... Elas são só almas, não? Indagou o rapaz. – Hum, tenho certeza que o tio shaman não gostaria nem um pouquinho de ouvir você falando isso. Respondeu o jovem. – .... Tem razão, ele sempre sabe das coisas. Albert abre os olhos em uma expressão de felicidade em reação a fala do irmão mais novo. – É isso! Tenho certeza que o tio vai saber o que dizer sobre a escola amanhã. Disse ele, exaltado. Tyson leva as mãos à cabeça, como se estivesse com dúvida sobre algo. – Hã? No que o tio shaman vai ajudar sobre o primeiro dia de aula de duas crianças de oito anos? Ele parou por um segundo antes de continuar. – Se bem que ele já é bem velho. Alguém já deve ter perguntado alguma coisa parecida. – Exatamente, vai querer tentar isso ou não? E eu sei que você vai perguntar: “essa hora da noite?”. É, agora mesmo.Já era quase duas da manhã quando os garotos decidiram sair discretamente da casa e correr floresta a dentro. Mesmo estando de noite, eles foram perfeitamente capazes de se direcionar por meio da mata, visto que já haviam ido até o grupo dos shamans inúmeras vezes com seus pais. A luz que iluminava os arredores da área ficava cada vez mais forte, até que, depois de vinte minutos, finalmente chegaram. A primeira coisa que viram foi uma chama enorme cercada por pessoas dançando com diversos movimentos estranhos, tudo enquanto andavam fazendo um círculo em volta da fogueira, além de tambores que compunham a melodia da “festa”. Sentada encostada em uma árvore, estava uma figura idosa, já conhecida pelos rapazes. - Tio shaman! Gritou Albert, logo antes de andar até o velho. – Tyson? Albert? O que estão fazendo aqui a essa hora? Indagou o homem com uma expressão de surpresa. – Nós não estamos bem com tudo isso de escola, sabe? – É verdade. Eu fico com uma sensação horrível! A gente vai ter que falar com pessoas que nunca vimos antes, e até ficar sentado o dia todo. O shaman leva a mão ao seu rosto e mexe a cabeça em negativação. – Não acredito que estou fazendo isso... sua mãe vai me matar. Ele respirou fundo, pegou seu cajado do chão, e levantou. – Muito bem, meninos, eu vou contar tudo que vocês precisam saber, mas vou fazer isso enquanto levo vocês pra casa. Disse o idoso, olhando para os dois. – Sim, senhor! – Certo, certo... Então, Albert, não precisa se preocupar em conhecer novas pessoas, você pode até fazer novos amigos! Saiba que...Em casaTanto Tyson quanto Albert já haviam adormecido durante a caminhada de volta. O velho carregava os dois nos braços quando finalmente chegou à porta da casa. Ele então estica seu braço para bater, com cuidado para não os derrubar. Rapidamente, a mãe dos garotos corre até a entrada para atender. - Meu deus! Onde eles estavam?! Falou a mulher, aliviada. – Eles foram até a homenagem, sozinhos. Pra perguntar o que eu sabia sobre “primeiro dia de aula”. Disse o shaman, já entrando na casa, ainda carregando os meninos. – O quê? Mas isso não faz o menor sentido... Os dois então chegaram à porta do quarto dos filhos. – Sim, eu também pensei isso, mas... Ele parou por um segundo e colocou ambos na cama. – Talvez tudo o que eles precisavam fosse um tapinha nas costas... Terminou cobrindo Tyson e Albert com o lençol que estava bagunçando no chão ao lado do colchão. - Eles parecem tão inocentes quando estão dormindo... Parecem dois anjinhos... – Sim, nem parece que fugiram de casa e correram mata adentro só pra não chorarem amanhã. A moça deu uma leve risada e socou de leve o braço do velho. – Pelo visto você não mudou nada, Hooke. O ancião então começa a caminha pra fora do quarto, e eventualmente da casa. – Você, pelo contrário, Ada, está irreconhecível da mulher de antes de ter esses dois. Ela coça o braço antes de continuar. – Ser uma mãe é um trabalho árduo, Hooke. Mas difícil do que qualquer ritual. O homem continuava andando enquanto a mulher falava, até que virou a maçaneta. – Se você diz... Enfim, Ada, até... Outro dia. A mãe se preparou para apagar a luz do quarto e deu uma última olhada para os garotos. – Boa noite Tyson, boa noite Albert. Um “boa sorte” da mamãe de vocês! E com um “click”, tudo se tornou escuridão. 
II - Tyson! Seu merdinha! Gritou o rapaz, querendo chamar a atenção de seu irmão, que estava do outro lado da sala. – Quero ver você falando isso enquanto a professora estiver aqui. Gritou de volta, mas quase não foi ouvido, devido ao barulho altíssimo no local. – O Tyson está certo, Albert! Disse uma voz, mas ao fundo da sala. – Você é o maior puxa saco que existe! Se ela te ver fazendo uma algazarra dessa... Nunca mais você vai ir numa festa do filho! A frase dita pelo garoto termina em gargalhadas. Albert levantou irritado. – Calem a boca, vocês dois! Ele respirou por um segundo. – E Carl, ela me chamou do nada! Queria o quê, que eu dissesse que odeio a família dela? O outro então para de dar risadas, secando uma gota de lágrima do olho. – Tá, cara. Só é meio bizarro você ser quase um namorado da professora, mas beleza.Albert foi andando até o irmão, e conforme se aproximava, ele olhou para os lados, como se quisesse se certificar que não tinha ninguém ouvindo. Depois, ele puxou uma cadeira e sentou ali mesmo. – Olha, Tyson... Promete que não vai rir. Tyson deu um sorriso quase que instantaneamente. – Prometer eu não prometo. Só fala logo! Seu irmão observou novamente os arredores. – Então... Eu preciso que você vá comigo até a casa da Marie. Meio segundo após a declaração, Tyson já estava se remoendo em risadas. Albert fechou o punho pronto para acertar um soco em seu ombro, mas não o fez. – Cacete, Tyson! Eu estou falando sério! O rapaz respondeu seu irmão, ainda com um sorriso imenso no rosto. – Eu entendi. Mas Albert... Ela tem vinte e seis anos... Eu acho melhor- Albert fez um gesto com a mão direita, interrompendo a frase. – Você não acha nada, nós vamos e pronto! Vamos lá, brother. Eu preciso de você lá, se não vai ficar meio estranho, sabe... Só eu e ela... Uma silhueta subitamente apareceu atrás dos dois. – Sim, seria muito estranho mesmo, hahaha! Tyson tentou questionar sua aparição repentina, porém, continuou rindo absurdamente. – Ei, Carl, vê se avisa! Na próxima. A porta da sala de aula abriu aos poucos, e imediatamente toda a gritaria da turma foi convertida em silêncio, e logo depois, uma figura feminina entrou. – Peguem os seus cadernos, pessoal, vamos trabalhar! Disse a moça, abrindo uma pasta com uma pilha enorme de papéis dentro. – Ai, ai... Vai ser um longo dia.Na saída- Tudo bem então. Vejo você mais tarde? Disse Albert, conversando com a mesma mulher que havia acabado de dar aula para ele alguns minutos atrás. – Sim, Albert. Pode passar lá em casa às seis, e não esqueça de trazer o material sobre física! – Pode confiar em mim, Marie, eu prometo. Ele então sentiu uma fraca puxada em sua calça, logo atrás. – É bom mesmo! Piratas nunca quebram promessas. Ele se virou, para encontrar uma criança, com um tapa olho muito mal feito, e um chapéu de pirata. – Nikolas! Você veio! Falou, se abaixando para que pudesse abraçar o menino. – Sim, ele vai me acompanhar até em casa hoje. A minha mãe vai ter que sair, então tive que trazê-lo comigo. Mas enfim... Ela estendeu a mão à Nikolas, e ele fez o mesmo. - Tchau, Albert! – Até mais, garotão! Te vejo depois, Marie! A mulher apenas olhou pra trás, dando um sorriso em resposta. Albert então pegou outra direção, andando até Tyson, que esperava por ele na entrada da sala. – E aí, que horas? Disse, aparentemente entusiasmado. – Às seis. Respondeu, com uma feição de alegria. – Pois então, tá pronto? – Já nasci pronto, parceiro.
III - Tyson! E aí como é que vai ser? Anda! Gritou o rapaz, obviamente irritado com seu irmão. – Calma, criatura! Eu já te disse que que ainda nem são cinco horas! Disse, porém, só o deixando ainda mais bravo. – Olha, Tyson, se eu me atrasar só um pouco... Nem que seja por dois minutos, eu vou te socar tão forte que você vai engolir o estômago. Ouviu bem? Respondeu, com uma mão fechada a poucos centímetros de Tyson. – Tudo bem... Entendi... Falou o jovem, com uma expressão de dúvida. – De qualquer forma, Albert, você está realmente levando isso como um encontro? Ela só vai te ajudar em física, pelo amor de deus! Albert sentou no sofá, passando a mão nos cabelos. - Eu sei, eu sei, mas... E se... Sabe, tiver que acontecer alguma coisa... Tyson ajeitou a gola, enquanto olhava para o espelho. – Talvez tenha que acontecer alguma coisa, quem sabe... Depois, pegou um pente que havia ali perto. – Mas ficar desesperado não vai ajudar em nada. Seu irmão então respirou fundo enquanto pensava. – É... Você tem razão. Um silêncio tomou conta do lugar de repente. Isso até Albert perguntar de novo. – Vamos, Tyson, já estamos atrasados! – Meu senhor, dai-me paciência...Na casa de Marie- Albert! Tyson! Os dois viram de longe a criança acenando para eles, e fizeram o mesmo. Ao chegar mais perto, notaram que Marie já estava sentada no sofá, lendo um pequeno livro fino, até que viu os jovens beirando sua porta. – Oi, rapazes. Que bom que vieram cedo, já estava ficando entediada. Albert então deu um sorriso e uma piscada na direção de Tyson, mais como alguém que dizia “eu não falei”? Porém, Tyson notou algo estranho... Marie parecia um pouco triste, como se estivesse tentando disfarçar a dor com sorrisos falsos. – Senhorita Curie? Está tudo bem? O sorriso da mulher parou por um segundo ou dois enquanto ela ajeitava a sobrancelha, mas voltou logo em seguida. – Sim! Ah, que é isso, Tyson, você pode me chamar de Marie quando não estivermos na aula. Disse ela, obviamente tentando se esquivar do assunto. – Tudo bem então. Podemos entrar, Marie? – Claro que pode, Albert, anda, anda! Interviu o menino, fazendo força empurrando os três para dentro. Os irmãos sentaram, e Albert imediatamente tirou seu livro da bolsa e colocou sobre a mesa no centro da sala. – Então você não quer perder tempo, não é? Disse a moça, também tirando um livro da sua própria bolsa. – De forma alguma, quero ficar o máximo de tempo aqui... Com você. Sem perceber, Albert ficou corado com sua própria declaração, e tentou se esclarecer logo em seguida. – É, quer dizer... Eu preciso aprender logo essa matéria, né, hahaha. Tyson apenas olhava a situação, com um vontade de rir absurda, mas se contendo. Até que sentiu uma mão em sua manga da blusa. – Tio Tyson , você também gosta de piratas? Disse Nikolas, observando uma caveira estampada na calça do estudante. – Uau, então você também gosta, rapazinho! Isso aí, piratas são maneiros, né? Respondeu, esfregando o couro cabeludo da criança. – Muito maneiros, tio! Olha, eu até tenho isso aqui! Falou o garoto, mostrando uma maquete de um navio pirata que tinha perto da mesa. – Quer brincar lá fora comigo? – Claro que sim, Nikolas, só para de me chamar de tio... Ele então olhou para Albert e Marie, que já haviam começado a estudar, e reparou um sorriso largo no rosto de seu irmão. – É meio estranho devido às circunstâncias... Os dois mal saíram para brincar do lado de fora, mesmo assim Tyson passou a interpretar um personagem na mesma hora. – Hahá! Quem ousa desafiar o grandioso Tyson, Aluno das Almas! Nikolas abaixou seu tapa olho no mesmo instante. – Eu mesmo, o único, Nikolas do punho leve! Os dois então começaram a “se enfrentar”, “brutalmente”. Um bom tempo se passou com essa mesma situação, Nikolas e Tyson do lado de fora, nos fundos, e Albert e Marie estudando na sala. De repente, um estrondo pôde ser ouvido da porta onde a professora e o aluno estavam. – Thomas! Ai meu deus, agora não... O homem obviamente estava bêbado a um nível extremo, quase não conseguindo ficar em pé, e com suas roupas da marinha totalmente esfarrapadas e mal colocadas. Albert virou para Marie para que pudesse falar. – Marie, achei que seu ex-marido já estivesse morando em outro lugar... Ela se aproximou um pouco mais do jovem, para abafar a voz. – Ele mora, só que... A moça respirou fundo. – Ele não aguentou ficar sem o Nikolas, então, vem sempre aqui... E nas piore horas possíveis... Thomas chegou perto bruscamente dos dois. - Sai de perto da minha mulher! Gritou, pronto para acertar o garoto. Porém, ele facilmente conseguiu se afastar antes de ser acertado. - Qual o seu problema, Thomas!? A mulher levantou irritada, olhando diretamente para o bêbado. O homem, sem pensar, levantou sua mão, e acertou um tapa fortíssimo no rosto de Marie. – Marie! Seu desgraçado! Albert se preparou para correr e acerta um chute no agressor, quando viu sua mão direita deslizando até a cintura, e tirando uma arma de fogo. – Você vai ficar quietinho aí, rapazinho.Tyson ouviu tudo do lado de fora, e entrou para ver o que estava acontecendo, deixando Nikolas do lado de fora. Apenas para ver uma arma apontada para seu irmão, e sua professora jogada no chão, derramando lágrimas. – O quê... O que está acontecendo aqui? Thomas ainda andava torto devido ao álcool, mas a arma continuava apontada. – Tyson! Fiquei aí mesmo, e não deixe o Nikolas chegar perto. Logo após terminar de falar, o homem à sua frente começou a rir sadicamente. – Ha, então você realmente acha que é o herói, garoto! Olha pra você, nem consegue fazer nada pela Marie! Albert fechou ainda mais sua expressão. – Cala a boca... Mesmo assim, ele continuou. – Patético! O lado egoísta sempre fala mais alto, não é? Não quer arriscar esse pescoço para salvá-la... – Albert! Não o escute, ele só está tentando te provocar! O jovem estava a ponto de explodir, mas tentou manter a calma um pouco mais. – Já disse pra calar essa boca... O ex-marido olhou para Tyson, que estava paralisado com a situação. E riu ainda mais alto. – Mais um?! Essa mulher não tem jeito mesmo, não passa de uma vadia louca. Ele então pisou sem nenhuma piedade na costela de Marie, que estava deitada do chão, apavorada. Albert, já fora da razão, deu pulo para cima do agressor... O disparo aconteceu um segundo depois da atitude do rapaz, e a bala acertou em cheio seu coração... [ color=#CDAD00]– Não... Não... ALBERT![/color] Dois dias depoisTyson permanecia em pé, olhando pro chão, onde um corpo que fora enterrado no dia anterior estava. Mesmo não demonstrando, sua dor era tão intensa que suas mãos tremiam dentro do bolso. - Tio Tyson... Disse Nikolas, puxando Tyson pela calça. – Sim, Nikolas... – Você acha que... O espírito dele pode falar com a gente? Sua mãe fortemente apertou o pulso do garoto. – Nikolas! Pare de fazer estas perguntas! Tyson então colocou a mão na frente do rosto da moça, interrompendo-a. Ele abaixou, e colocou as mãos no ombro da criança. – Consegue me ver? O menino apenas ficou com um olhar de dúvida. – Sim... – Bom, se você quiser ver um espírito, você precisa ser alguém que... Possa se comunicar. Mesmo assim, não é todo mundo que... Ele levantou e continuou olhando para o chão. – E como eu faço? Por favor, me diga! Eu quero ver o Albert de novo. Marie largou Nikolas, e em poucos segundos, seus olhos se entupiram de lágrimas, e mesmo não querendo fazer isso naquela hora, começou a chorar, relembrando de seu aluno. – Vamos embora, Nikolas, agora. A mulher puxou rapidamente a criança pelo braço, e ela apenas consentiu. – Tchau, tio Tyson. – Adeus. Obrigado por me acompanharem até aqui.Tyson ficou ali por um bom tempo, sentado, lembrando de seu irmão. Ele lembrava de inúmeros momentos felizes que passava nos laboratórios enquanto ambos mexiam nos aparelhos de detecção. Ele lembrava a forma como ele ficava irritado toda vez que alguém tentava paquerar Marie. Ele lembrava de quando os dois corriam floresta a dentro simplesmente para atazanar Hooke. Ele lembrava de tudo. Era como se o tempo tivesse parado para que Tyson pudesse reviver tudo mais uma vez. 
IV - Você sabe que eu posso ajudar, Tyson. De repente, o rapaz notou uma voz vinda de perto da floresta. Olhando para o lado, ele conseguiu ver quem era. – Hooke... O que está fazendo aqui? Disse o jovem, se aproximando de onde o ancião estava. – Porque não foi atrás de mim? Questionou. – Porque não, será que você não entende? Eu já te falei, não dá, eu não consigo. O velho chegou ainda mais perto do garoto. – Todos que tem nosso sangue conseguem. Tenho certeza que sua mãe já te alertou inúmeras vezes. Tyson deu um passo para trás, depois se virou e começou a andar na direção contrária ao idoso. – Não adianta, Hooke, é inútil... Deixe ele descansar em paz, por favor. Ele então continuou a caminhada, rumo à sua casa, afinal, já estava quase na hora do sino da escola soar. No intervaloO local não parecia agitado como sempre. Um grupo ou outro ainda tagarelava em certos cantos, porém, o colégio estava em silêncio. Principalmente ao redor de Tyson, que sentava na beira do chafariz, no centro da área social. - Pode falar comigo se quiser, cara. Carl aparece no meio da multidão, tão calado como nunca esteve. – Obrigado, mas não precisa. Mesmo ouvindo isso, o rapaz senta no chafariz, ao lado de seu amigo. – Não precisamos parar de falar por causa disso, Tyson. Nós ainda somos amigos, não somos? Tyson olhou para cima, como se estivesse pensativo, respirando fundo. – Carl... O que você faria se soubesse que talvez exista um jeito de falar com ele de novo? – Ah, você fala sobre os shamans, não é? O rapaz confirmou com a cabeça. – Isso, só que... Quem vai tentar a conexão sou eu. Carl imediatamente mostrou uma expressão de surpresa total. – Cara... Não sabia que a sua família ainda se metia nessas coisas. – Não é minha família, Carl... Quer dizer, de certa forma é... Ele trocou a face de surpresa por uma de dúvida completa. – Tá... De qualquer jeito, porque você simplesmente não faz? – Eu já tentei, tentei várias vezes, desde a minha infância, eu e o Albert... E nada. Chego a suspeitar que tem algo em nós que nos impede de certa forma, entende? Carl se levantou subitamente, sacudindo o amigo pelos ombros. – Vamos lá cara! Eu sei que você pode. Não sabe que todo pirata tem uma determinação pulsante nas veias? Olha esse cara aqui! Ele então pegou um cartaz razoavelmente grande da mochila, revelando ser um cartaz de procurado, referente ao Luffy do Chapéu de Palha. – Ele é espetacular! Tyson deu um pequeno sorriso. – Sim... Você já explicou como ele salvou sua família dos caras do mal, já ouvi essa história. – Mas você não estava lá. Tinha que ver como ele deu um soco no cara, depois deu um chute em outro que estava lá longe, depois- O jovem conseguiu fazer com que mais risadas saíssem da boca de seu amigo. – Tudo bem, Carl, você venceu, estou indo, e vai ser agora! – Isso, meu herói! Ele viu Tyson correndo como o vento para a entrada, e ainda com o cartaz na mão, deu uma última olhada antes de guarda-lo. – Parece que você continua me ajudando mesmo após mais de dois anos, Luffy...Na florestaTyson correu absurdamente por meio da mata apertada. Enquanto percorria o caminho, lembrou do mesmo momento de anos atrás, quando ele e seu irmão fizeram o mesmo, e ainda que os motivos fossem outros, o sentimento era exatamente igual. Em pouco tempo, ele já conseguia ver o altar de invocação, o que indicava que finalmente havia chegado... Porém, em frente a ele, estava estava Ada, sua mãe, aparentemente tentando o mesmo objetivo que ele. - Mãe? Disse, tomando fôlego devido ao cansaço. – Tyson! O que faz aqui? Perguntou, um tanto surpresa com a aparição do filho. – Não preciso nem explicar, não é? Ele se aproximou da mãe e sentou, na mesma posição que ela. – Sabe... Existe a chance de não dar certo, porque- - Talvez ele já esteja descansando e seu espírito não perambula mais. Sim, a senhora que nos contou isso. A mulher aperta os punhos, e demonstra uma incerteza muito grande em seu olhar. – Tyson, eu não sei se consigo. Seu filho segurou sua mão, a acalmando. – Vamos fazer juntos... Temos que tentar. Não desista agora, mãe. Faça pelo Albert! Ada escutou com clareza o que ele tinha pra falar, e apesar de não se libertar da dúvida, se ajeitou em sua posição e respirou fundo. E quando Tyson viu que havia começado, fez o mesmo. Ambos ficaram bons segundos parados, apenas ouvindo a respiração um do outro. Até que Ada começou a recitar. – Espírito escolhido por mim e pelo meu povo, abençoados com o dom da comunicação entre os vivos e os mortos. Se sua alma não consegue encontrar o descanso eterno, somos os conectores deste mundo e do outro, apareça até nós, nos alcance como puder, não mais perambule com seu espírito preso entre dois grandes planos. Ela enfim terminou todo o ritual de conjuração. Os dois ficaram ali por mais de cinco minutos, esperando algum tipo de resposta. – Já era para ele ter feito algo, não é?... Disse o rapaz, deixando escapar uma pequena lágrima de um dos olhos. Sua mãe não falou nada, ainda se concentrando, porém, não escondendo sua expressão de tristeza. Tyson esperou por mais algum sinal, e junto com suas lágrimas, sua esperança escorreu aos poucos de dentro dele. Quando de repente, ele secou o rosto e se levantou. – Não... A mulher ao seu lado imediatamente para. – Tyson! O que está fazendo? Você não pode sair no meio da conjuração. Ele não pareceu dar ouvidos, e começou a gritar. – Albert, me escute! Se você estiver aí, por favor, responda! Sou eu! Quem falou agora a pouco foi nossa mãe! Por favor, irmão... Não nos deixe agora... Eu imploro... Seu tom alto abaixou suavemente enquanto ele tombava ao chão, sem força para se manter de pé, e colocando sua mão no rosto enquanto chorava. De repente, um borrão azul começa a se montar em meio aos dois. – Filho. Filho. Falou Ada, querendo chamar a atenção para o que estava acontecendo. O rapaz olhou para o borrão, já com uma certa esperança. Logo depois, eles puderam ouvir uma voz, baixíssima, porém ainda audível. Ela soava chorosa, como se alguém estivesse extremamente triste. – Não... Não é como se eu não quisesse... Droga! Tyson deu um sorriso enorme quando reconheceu a voz no mesmo instante. – Albert? É você? O formato do borrão se tornou mais evidente, claramente mostrando quem era. Albert estava bem ali, secando o rosto enquanto olhava para Tyson. – Tyson... Você... Você pode me ver? – Sim, eu posso... Ele então deu um pulo para cima do irmão, armando o maior abraço que ele já deu na vida. – Eu posso te ver! Posso te ouvir! Te sentir! Você está realmente aqui! Não demorou muito para que Ada se juntasse ao abraço. – Mãe, vocês conseguiram, conseguiram mesmo! A felicidade dos três naquele momento era indescritível. Uma mistura de pranto e risadas tomava conta. Até que eles conseguiram ver uma figura familiar encostada numa árvore. – Incrível... Nunca vi nada igual a isso... Tyson logo acenou para o ancião. – Olha isso, Hooke! Eu consegui! Hooke apenas olhava surpreso para a cena, mas feliz com tudo aquilo. – Sim, meu jovem, você realmente conseguiu! Mas isso... Ada, você entende o que ele fez aqui? A mulher afirmou que sim com a cabeça. – Óbvio que sim! Meu filho... Meu filho tem um dom maior do que todos nós! Nesse momento, os dois irmão olham um para o outro, e depois de perceberem que definitivamente estavam se tocando, ambos pularam pra trás. – Ah! – Caramba, Tyson... Você consegue me tocar. – Não só simplesmente isso. Interrompe Hooke. – Ele conseguiu fazer você mudar de plano. Basicamente... Ele consegue te deixar “vivo” por um certo tempo. Um silêncio é formado enquanto os dois se encaram novamente. – Isso... – É... – FANTÁSTICO! Os garotos começaram a pular loucamente em comemoração. Até que um deles agarrou o outro pelo braço e partiu de volta para a cidade. – Que se dane, Albert. Nós temos que falar disso pra todo mundo! Pronto? – Eu? Há! Já morri pronto, parceiro.
V Um ano depois- Tyson! Seu lerdo, corre! Gritou o rapaz, enquanto uma multidão corria atrás dele e de seu irmão. – Acha que vai dar tempo de chegar no barco? – Só cala essa boca e corre! Os dois e mais várias pessoas finalmente avistam o final da ilha, e logo depois, o as docas aparecem. – Eu já consigo ver! Com o aviso de Tyson, ambos os jovens aceleraram ainda mais o passo em linha reta, quando finalmente chegaram em um barco, grande o suficiente para caber os dois e mais alguns, mas nada comparado à um navio. Em um pulo, os dois conseguem entrar. – Ufa...Ao fundo, era possível ouvir vários gritos: “Tyson! Como é que vai largar os estudos desse jeito?”, “Seu aluninho de merda!”, “Piratas Estudantes não existem!”, e mais inúmeros. Porém, de repente, duas figuras que Tyson conhecia muito bem se puseram em frente à multidão. - Não se atrevam a dar mais um passo! “Senhorita Curie?” - Exatamente! O trato foi: se não conseguirmos pegá-los até que chegassem no barco, eles iriam. “Carl?”. – Obrigado, gente! Disse Albert, apoiado no casco. – Relaxa, parceiro. É pra isso que os amigos servem. De dentro da multidão, um jovem apareceu, mais feliz do que todos os envolvidos. – Hey! Tem certeza de que não posso ir com vocês? Tyson deu uma risada de leve. – Claro que não, Nikolas. Nós fazemos parte da tripulação dos ‘ Estudantes Loucos ‘, e você ainda não tá na idade pra ser um estudante. – Que droga! Tudo bem, eu sei que sou muito novo pra essas coisas de pirata... Mas um dia- Marie o interrompeu dando-lhe um tapa na nuca. – “Mas um dia” você vai terminar os estudos e vai se tornar um pesquisador! Nikolas esfregou a mão no lugar do golpe, tentando se aliviar. – Ai! Doeu, mãe! Tyson vai até o outro lado do barco, e começa a desamarrar a corda que o segurava ali. – Albert, desamarra as velas. Vamos sair daqui antes que eles esqueçam desse tal trato. Seu irmão imediatamente se esticou para alcançar as cordas, e em poucos segundos, as velas se expandiram, e começaram a empurrar o barco. – Até mais Tyson! E Albert, vê se não esquece do que eu te ensinei, viu?! Disse a mulher, acenando para os dois. Albert acenou de volta, mas com uma expressão completamente fixa, como se estivesse hipnotizado. – Tchau, Marie... Carl foi o próximo a se despedir. – Falou, caras! Se virem o Luffy por aí, lembrem ele de mim! Gritou, logo antes de Nikolas subir em suas costas para ficar mais alto. – Ei! – Relaxa aí, tio Carl, nem sou tão pesado. O garoto levantou sua maquete de barco e também começou a gritar. – Tchau, Albert! Tchau, tio Tyson! Eu prometo que quando eu crescer, vou ficar tão forte que vou proteger minha mãe pra sempre!Ambos os irmãos acenavam para seus amigos, até que quando quase estavam se virando para cair de cabeça na viagem, eles viram um grupo de shamans se despedindo no final da floresta, e junto deles, Hokke e Ada. A distância entre eles era muito grande para que pudessem gritar alguma coisa, mas ainda podiam fazer gestos em sinal de alegria. Até que finalmente, a ilha se tornou apenas um ponto no mar, e eles puderam se sentar. – Então, é isso... – Sim... O barulho das ondas do mar era extremamente relaxante, porém, mesmo assim, Tyson estava muito desconfortável. – Albert, não estou aguentando mais... Vou ter que liberar você. Albert viu que partes de seu corpo estavam desaparecendo, mostrando apenas a sua aura no lugar. – Tudo bem, eu não preciso mais ficar nesse plano quando só tem eu e você. – Certo... O jovem fez com que seu irmão trocasse de existência na mesma hora, deixando que seu espírito azul aparecesse. – Uou, bem louco. Então quer dizer... Vai ficar “ Estudantes Loucos” mesmo? – Sim, tive que pensar de última hora. Afirmou Tyson, olhando para a bandeira logo acima deles. – Aventuras... Tudo que um pirata mais deseja… É o que nos espera...
Personagens [tooltip=Marie]  [/tooltip] Mãe de Nikolas e ex-esposa do assassino de Albert. Ela é uma professora famosa na cidade e é especializada em estudos sobre a física envolvendo espíritos. Tem um carinho muito grande pela família de Tyson e demonstra isso visitando Ada constantemente. [tooltip=Carl]  [/tooltip] Melhor amigo de Tyson e Albert. Ele não é originário de Soru Island. É um grande fã de Luffy do Chapéu de Palha, e nunca perde uma oportunidade de contar pra alguém como ele salvou sua família em sua terra natal. [tooltip=Ada]  [/tooltip] A mãe dos dois protagonistas. Ela nasceu e cresceu como uma Itako, até que decidiu se casar e morar na cidade antes de ter os filhos. Ela repassou tudo que pôde para Tyson e Albert, e é a principal responsável pela personalidade bondosa deles. [tooltip=Nikolas]  [/tooltip] Filho de Marie e um fanático sobre pirataria. Mesmo com nove anos de idade, tem um sonho de se tornar um adulto forte o bastante para proteger sua mãe. Apesar de não gostar de estudar, acaba fazendo mais como um favor para sua mãe, que passa a maior parte do tempo ocupada em seu trabalho. Ex-marido de Marie e o homem que atirou no peito de Albert. Logo em seguida do ocorrido, as autoridades locais imediatamente o prenderam, transferindo-o uma semana depois para outro país para continuar com sua pena. Costumava trabalhar na marinha, mas pelo que se sabe, sua autorização foi revogada pelo governo. [tooltip=Hooke]  [/tooltip] Atual líder do grupo de shamans de Soru Island. Foi ele quem ensinou tudo que Ada sabe enquanto ela ainda morava na floresta. É reconhecido por todos os shamans (até mesmo alguns cientistas) como um dos maiores sábios da história do país.
Considerações de Narrativa Bom, primeiramente, seria de uma imeeeensa ajuda caso o narrador já tenha algum contanto com o anime-inspiração do personagem, One Piece. Porém, caso não tenha, não será um defeito, afinal, o que vai importar de verdade é a estrutura que eu desejo nas aventuras, e é isso que contarei agora.
A ideia principal da trama do anime é a situação-problema que a tripulação de Luffy encontra a cada ilha que eles param. E é essa mesma ideia que quero no desenrolar da aventura. Simplificando: eles navegam até uma ilha, descobrem que tem um problema, resolvem, depois navegam até a próxima ilha, onde também tem um problema, que eles resolvem, e por aí vai. Pode ter que tenha soado meio repetitivo, mas obviamente pode acontecer algumas variações. Talvez eles descubram o problema em outro lugar e só vão para a tal ilha justamente para resolver o acaso. Talvez o problema não possa ser resolvido em uma ilha apenas, então os heróis devem partir para outro lugar para continuar. Talvez o problema nem seja com a ilha em si, mas existem alguns “obstáculos” para os protagonistas percorrerem. Enfim, tudo depender de como o narrador acha que deva ser a melhor maneira de desenvolver a história.
Outra coisa importante. O personagem que criei, Tyson, tem como objetivo montar uma tripulação pirata e se aventurar pelos mares. Logo, são necessários tripulantes :3 . Seria excelente caso o narrador introduza algum NPC que possa ser um Nakama de Albert e Tyson nas aventuras, pelo menos dois nas duas primeiras, um pra cada trama. Obviamente, eles não serão como nas vantagens de “Parceiro” ou “Aliado”, mas acompanharam Tyson sempre que puderem, e o reconheceram como capitão. A ideia inicial é que existam por volta de cinco deles (podendo variar ao gosto de quem narra), e cada um tenha algum tipo de “função” na tripulação, assim como no anime, exemplos: Um cozinheiro, um médico, um navegador, um músico, um engenheiro, um explorador, um atirador, etc...
Por fim, mas não menos importante. Para aqueles que viram o anime, os eventos se passam depois do Timeskip.
Nakamas até agora.
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