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Karen Pelletier; Ikenami Yui
Topic Started: Jun 24 2011, 05:15 AM (104 Views)
Karen Pelletier
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Yoru no machi wa shizuka de fukai umi no you.
À noite a cidade é silenciosa como o fundo do oceano.


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Bonjour, amis. Meu nome é KAREN PELLETIER, mas também posso ser chamado de YUI. Nasci em 07 de Julho de 1993, portanto tenho 17 anos. Estou cursando a PRIMEIRA SÉRIE DO ENSINO MÉDIO na renomada Académie de Grenoble.

Vou lhes contar um pouco da minha história...
Ele chamava-se Geràrd Pelletier, francês, 27 anos, empreendedor. Ela chamava-se Ikenami Satsuki, 16 anos, estudante. Ele estava em Tokyo naquele verão, fechando um acordo que o transformaria em sócio majoritário de uma grande companhia automobilística japonesa. Ela estava entediada e usava meias largas e a saia do seu uniforme de colegial dez centímetros mais curta do que o normal de propósito. Ele sonhava em expandir um império financeiro. Ela sonhava com um grande amor. Eram duas pessoas afortunadas, pois conseguiram o que queriam.

Conheceram-se na lanchonete onde ela trabalhava meio período. Ela encantou-se com a aparência dele, seu terno impecável e seu jeito altivo de ser e fez de tudo para parecer mais apetitosa do que o parfait extravagante que ela pôs diante dele. Ele mordeu a isca. Ela mentiu a idade. Passaram a noite em um love motel, onde ela fingiu uma experiência que não possuía. Ele apaixonou-se perdidamente por ela, embora mal conseguissem comunicar-se em inglês. Ela acabou confessando sua idade real antes de despedirem-se. Ele não conseguiu esquecê-la.

Dois anos depois, no aniversário de 18 anos de Satsuki, Geràrd a pediu em casamento e a levou para a França. Nove meses depois, eu nasci.

A princípio, meu pai queria que o bebê se chamasse Isabelle. Minha mãe sempre tinha sonhado ter uma filha chamada Yui. Entraram em um acordo e resolveram me chamar de Karen, por ser um nome japonês que soa ocidental. A princípio, seria Karen Ikenami Pelletier, mas de última hora removeram o Ikenami. Até hoje não sei porquê.

Cresci em uma bela casa, grande como uma mansão, com muitos quartos e coisas bonitas. Meus pais eram amorosos e atenciosos e tratavam um ao outro muito bem. Satsuki tinha um respeito quase submisso pelo marido, enquanto Geràrd tratava a esposa como uma pérola rara e preciosa.

Minha criação foi dada pela minha mãe. A cultura em geral de onde vivíamos era tipicamente francesa, e eu estudei em boas escolas francesas a vida inteira, é claro. Mas com mamãe, era como se tivéssemos um mundo à parte. Ela me ensinou japonês e só nos comunicávamos nessa lingua, como um código secreto. Ela era divertida e contava muitas histórias. Mas também era muito presa, porque papai tinha ciúmes. Creio que ela nunca chegou a aprender francês muito bem.

Duas vezes ao ano tínhamos permissão para visitar a minha família materna no Japão, e eram meus momentos favoritos. Acho que me identificava mais com meu sangue materno. Me identifico até hoje. Minha avó materna chamava-se Akane e era uma pessoa extremamente prática e doce. Meu avô, Isamu, tinha uma voz grave e muitas histórias para contar. Minhas tias eram alegres e barulhentas. Meus primos eram divertidos e interessantes. E as texturas, formas, tamanhos, cheiros e sons da pequena casa dos meus avós em Tokyo ficaram impressos na minha alma.

Quando eu tinha treze anos, Satsuki faleceu. Foi num acidente de carro, quando voltávamos de um restaurante à noite. Um outro carro cortou em alta velocidade no cruzamento, e meu pai teve reflexos lentos demais para tirarmo-nos do perigo. Papai saiu com um ferimento grande no braço e duas costelas quebradas, além de vários cortes. Eu quebrei uma perna e sofri um impacto grave no crânio, e tive que fazer uma cirurgia para limpar o cérebro dos detritos ocasionados pelo acidente e fechar o ferimento. Mamãe, que recebeu o impacto direto do outro carro, morreu na hora.

Nunca mais voltei ao Japão. E nunca mais fui a mesma pessoa, exatamente. Algo tinha quebrado.

Alguns meses mais tarde, passava as madrugadas no meu quarto, diante de um espelho de corpo inteiro. Meus cabelos, que haviam sido raspados no hospital para a cirurgia, estavam muito curtos. Havia um sentimento estranho em mim, que eu não sei bem definir. Hoje eu sei os nomes e os termos para o que eu senti e vivi, mas naquele momento eles surgiram anônimos.

Não sei bem como explicar isso. Não tem exatamente a ver com a morte da minha mãe ou com o acidente, embora a explosão em si esteja obviamente relacionada. Acho que era uma voz que sempre esteve em mim, mas eu nunca havia escutado. E, embora naquela época eu não tivesse essa consciência, aquele momento me mudaria para o resto da vida.

Não lembro se foi na mesma época que comecei a prender os meus seios com uma atadura, mas deve ter sido. Quando meu cabelo começou a crescer, continuei cortando curto. Parei de usar brincos, cordões e anéis, porque subitamente não gostava mais de nada daquilo. Parei de usar saias, exceto quando era realmente obrigatório.

Não é que eu queira ser homem, nem nada. Também não quero deixar de ser mulher, exatamente.

Acho que... prefiro permanecer no meio. Simples assim.

Rótulos são coisas perigosas.

Vim para Grenoble este ano, transferindo-me da Académie de Sainte Cécile. Escapando de bullying, na verdade. Lá as meninas eram cruéis comigo, me chamando de nomes depreciativos porque não sou bem como elas. Papai diz que foi por isso, ao menos, mas tenho minhas suspeitas pelo modo como ele ficou apontando os rapazes de Grenoble o tempo todo quando viemos fazer a matrícula. Acho que ele tem medo que eu seja lésbica. O que é uma tolice.

Gênero e sexualidade são coisas diferentes, afinal de contas.

Mas mantenho minha mente aberta às possibilidades. Eu sou eu. Já é difícil o suficiente sem que eu precise começar a me rotular a essa altura do campeonato. Todo o processo já foi doloroso o suficiente, tanto que prefiro não entrar em detalhes. Mas me aceitar ajudou. A internet e o anonimato ajudaram. É claro que ainda me falta coragem, mas...

Roma não foi construída em um dia, ou é o que dizem.


Agora que estou aqui, vocês perceberão que minha personalidade...
... não gosto de falar de mim, a verdade é essa. Muitos poderiam me considerar uma pessoa fechada, ou até mesmo tímida. Mas é porque prefiro escutar e observar, no lugar de falar. Talvez pela minha história, personalidade ou ancestralidade eu tenha desenvolvido uma certa sensação de que "não pertenço", "não me encaixo", e talvez por isso não tenha aprendido a me impôr. A verdade é que gosto da posição de espectador, talvez por já ter me acostumado a ela. Não sou de falar, e é comum que passe-se um dia inteiro sem que ninguém ouça minha voz. Tenho dificuldade de me socializar. De me abrir. De dizer o que penso e sinto. Mas para olhos treinados, meu silêncio fala bastante.

Ainda não encontrei olhos treinados.

Gosto de várias formas de arte, principalmente literatura e desenho. Amo cinema e gosto de ir assistir aos filmes sem companhia. Eu sei que parece estranho, mas... é assim que sou. Gosto de histórias românticas, embora ache que há pouca abertura de mente na maioria das histórias de amor. Gostaria de viver uma história de amor.

Tenho orgulho do sangue que herdei da minha mãe, e gostaria de poder usar o sobrenome dela, ou que realmente ela tivesse conseguido me dar o nome que ela queria. Gostaria que ela estivesse viva.

Estudo bastante, embora tenha dificuldade de concentração por estar sempre no meu mundo particular. O objeto que mais amo é meu computador - através dele e do anonimato da internet, posso ser simplesmente eu - sem rótulos, sem imposições, sem medo. Livre.


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INFORMAÇÕES ADICIONAIS


Nome do Photoplayer: Ayame Gouriki
Pseudônimo: Skylark


TERMO

Eu, Skylark, confirmo que eu li e aceito as regras do fórum, assim como estou ciente de que este fórum possui temática adulta e foi destinado para usuários com idade igual ou superior a 18 (dezoito) anos de idade, podendo conter linguagem de baixo calão, sexo e violência em seus posts. E concordo com a interferência dos membros da administração do The Dreamers Society em minhas RP's sem aviso prévio.
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Les Innocents
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